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sábado, 19 de outubro de 2013

Vivendo No Limite


Ali por volta de 2005/06 eu assisti a um belo filme que me tocou e me marcou tanto que nunca saiu da minha memória desde então. Algumas semanas atrás eu fui tomado por um tipo de saudade deste filme e impulsionado pela emoção que ele me causou decidi assisti-lo outra vez. 
Crash - no limite (da tradução adotada para o português), é sem dúvida nenhuma nenhuma um belo filme. Verdadeiramente um dos melhores que eu já assisti. Um elenco de primeira como nomes já consagrados como Sandra Bulock, Matt Dillon, Don Cheadle, Brendan Fraser, divide a tela com uma grande lista de atores e atrizes nem tão conhecidos (ou mesmo desconhecidos) do grande público no geral e que, no entanto, funciona perfeitamente em total harmonia. O roteiro é simplesmente maravilhoso. Fazer com que o destino de tantos personagens, tão diferentes entre si, se choquem na trama tal qual como é feito, ouso dizer que beira a genialidade. O fio condutor da narrativa é o preconceito racial, mas não se restringe ao clássico brancos X negros. Não, é bem mais que isso. Foram adicionadas outras raças que fazem parte do caldeirão fervente que é Los Angeles (EUA) - a cidade que serve de palco onde os personagens atuam - latinos, muçulmanos, asiáticos e para deixar a trama ainda mais rica, real e verdadeira, estendeu-se também ao preconceito entre classes. Há cenas de pura poesia visual e com um peso dramático capaz de balançar até os mais duros e mais céticos. Para resumo da ópera, uma verdadeira obra-prima, não é a toa que foi indicado a seis Oscar e ganhou três, além de diversos prêmios em outros festivais de cinema pelo mundo a fora. Quem eu ainda não assistiu deve fazê-lo. Recomendo.
É seguindo nesta vertente de pensamento que complemento o meu raciocínio neste texto de hoje. Preconceito e intolerância, são dois dos maiores males que atingem a sociedade historicamente desde os mais remotos tempos. Para minha tristeza é algo que parece ser inerente a grande maioria dos homens. E sempre fica aquela sensação desesperançada de que atualmente estamos próximos de chegar no limite.
Viver no limite cansa, estressa e porque não dizer assusta, sem falar em toda a tensão que ocasiona. Pessoas que vivem tensas tem uma alta probabilidade de surtarem, de entrarem em colapso e cometerem as loucuras, os absurdos que com uma frequência alta circula nos noticiários de todas as mídias, em todos os cantos do mundo...
Encerro por aqui, como uma pausa aberta a reflexão. Deixo no ar uma pergunta que vem acompanhada de uma dica - responda sinceramente: O quão preconceituoso e intolerante, de fato, você é? A dica -
observe-se atentamente agindo em seu dia a dia. As opiniões que manifesta. A rapidez com que julga precocemente aqueles que são diferentes de você. Diferentes do seu modo de agir e de pensar. Fique atento e evite ao máximo viver no limite. Se estiver próximo dele, recue, sempre há tempo para retomar o caminho e fazer a nossa parte para dar um maior sentido e valor a nossa existência.
Um ótimo fim de semana a todos, fiquem com Deus, fui!

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Aos Mestres Com Carinho


Para que eu pudesse estar hoje aqui escrevendo este post, alguém lá no inicio de minha vida escolar, teve uma dedicação, uma entrega, uma paixão, uma boa dose de paciência, além de outras qualidades, para me alfabetizar. Depois disso, outros ou melhor dizendo e sendo mais justo, na verdade, outras, pois no inicio da minha vida escolar e durante todo o primeiro grau eu sempre tive professoras, professores, mesmo, de fato, somente quando eu já estava no ensino médio, que naquela época (e já faz tanto tempo) era chamado de segundo grau, também viriam a contribuir na minha formação como pessoa, como cidadão e desta maneira fazem parte da minha história, da minha trajetória, são parte do que eu sou hoje.
É realmente incrível fechar os olhos e buscar na memória e sem muito esforço visualizar a dona Iara, uma mulher gordinha, de cabelos pretos que foi a minha primeira professora. Eu não tenho maiores lembranças, a fora fragmentos, do que foi aquele meu primeiro ano na escola, mas a dona Iara é uma recordação bem viva, de tal maneira que quando penso no assunto, inevitavelmente sinto saudades dela e daquele tempo. Junto com a saudade vem também, obviamente, uma grande curiosidade de saber que fim ela levou. A escola - Dr. José Brusque Filho - em Pelotas, minha cidade natal, na zona sul do estado do Rio Grande do Sul, eu sei que continua lá, mas a dona Iara perdeu-se como aquele tempo.
No dia 15 de outubro comemora-se o dia do professor e infelizmente comemora-se cada vez mais com uma lista de coisas ruins que envolvem a classe e a educação como um todo. De norte a sul do país, os professores são maltratados. Maltratados pela autoridades (in)competentes e desprezíveis de plantão, por uma classe de políticos que me enojam e que a cada ano eleitoral vem vomitar suas falsas promessas para a educação, com seu cinismo, com aquele riso debochado que me revolta. Como se não bastasse isso, sofrem com uma precária infraestrutura, sofrem porque agora para bater as metas desses gestores malfeitores acabam aprovando alunos que passam de ano sem saber coisa nenhuma. Sofrem ainda um mal que eu considero tão inconcebível quanto os que são impostos pela pilantragem política. Sofrem com maus alunos que tiveram uma educação defeituosa em suas casas, nas suas famílias e chegam a escola acostumados a desrespeitar a quem quer que seja, inclusive o professor, que procura incansavelmente transformá-lo em alguém melhor. De forma totalmente abominável, muitas vezes chegam a ser agredidos fisicamente por estes delinquentes. Verdadeiramente não me surpreenderia se estes mesmos agressores tornarem-se (se já não os são) os marginais de amanhã. Mais espantoso e trágico ainda, é quando os país destes, vêem a escola para expressar seu apoio ao ato repudiável que os filhos tiveram. Quando isso acontece, minha descrença na sociedade é potencializada infinitas vezes.
É dona Iara e todas as outras professoras que fizeram parte da minha vida escolar, vocês são sim uma parte daquelas pessoas especiais e mais importantes que cruzaram a minha vida fazendo uma diferença para o bem. Minha gratidão será eterna. Nunca terei como agradecer a vocês por tudo aquilo que fizeram por mim, ainda que na época eu não soubesse reconhecer isso.
Meu maior desejo para esta classe tão nobre e tão sofrida neste país miserável é que, de alguma forma, as coisas mudem. Que os pais ao mandarem seus filhos para a escola, não queiram transferir para os professores a responsabilidade de educação que lhes compete. Que sejam parceiros dos professores se empenhando para fazer que seus filhos e filhas possam ser pessoas melhores, consequentemente melhores cidadãos. Que todos os olhem com a admiração e o respeito que merecem. Que não sejam recebidos e tratados como marginais por policiais durante suas manifestações na luta por direitos que nem deveriam estar reivindicando, uma vez que antes mesmo de haver esta luta, já deveriam estar sendo bem tratados em suas carreiras, com salários dignos, com estrutura de trabalho descente, entre outras coisas.
Encerro afirmando que a luta dos professores é a luta de todo cidadão de bem preocupado com o futuro deste país e de seus filhos, para aqueles que os tem. Não podemos deixar de manifestar nosso apoio e de fazer tudo aquilo que for possível para contribuir com a causa.
Fiquem com Deus e até a próxima, fui!!

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Uma Data Especial

Puxa, estou um pouco decepcionado comigo mesmo em relação a este blog. Eu deveria ter uma frequência muito maior nas minhas postagens aqui. Quando o idealizei, acreditava mesmo que seria possível fazer uma por dia ou pelo menos uma a cada dois dias, no máximo três. Porém, como vocês já devem ter notado isto não está acontecendo. Até há uma relativa explicação para isso, mas como é num âmbito muito pessoal não vou mencionar aqui, de qualquer forma, haveria ou melhor há a possibilidade de ter uma frequência e um cuidado maior com este blog e me faço essa autocrítica, essa reprimenda, neste sentido, assumindo um compromisso de dedicar um maior empenho, um esforço mais concentrado para mudar esta realidade.
Para piorar a situação este post de hoje chega com dois dias de atraso, uma vez que já virou a meia-noite e estamos na primeira hora de um novo dia. Mesmo assim, como eu não quero deixar batido esta data e a reflexão a que ela me remete (e a qual quero compartilhar com vocês), cá estou para sugerir que comemoremos juntos o dia das crianças.
Isso mesmo, um feliz dia das crianças! Que possamos estar sempre tratando nossos pequenos (e a todos eles) com todo o amor, todo o carinho, toda a atenção, toda a compreensão, todo a paciência e tudo mais de bons sentimentos que eles merecem. Que nunca, por nenhum momento se quer, deixemos de esquecer que eles são o futuro do planeta e que nossa responsabilidade em educa-los, em ajudá-los para que possam se tornar grandes pessoas, de ótimo caráter é muito grande e que não podemos transferi-la para ninguém.
Também que nesta data, façamos uma reflexão, fechemos os olhos e tentemos buscar lá  no fundo da memória, no mais esquecido e distante ponto dela (para aqueles de mais idade, como no meu caso, obviamente) a essência daquele sentimento mágico, puro e inocente que é a infância.
Como diria Che Guevara que a gente não perca a ternura jamais. Que cresçamos, mas que nunca nos esqueçamos que a vida é mais, muito mais, do que esta batalha diária, do que esta correria esquizofrênica, muito mais do que este mundo doente, violento e de moral cada dia mais decadente que as mídias nos vendem.
Que pelo menos uma vez por dia ou por semana, uma vez ao mês que seja, a gente pare tudo que estivermos fazendo e façamos algo do tempo que fazíamos lá atrás na nossa infância. Não se sinta constrangido com isso, pelo contrário resgate o espirito, resgate a si mesmo e não tenho dúvidas que seu coração irá bater de uma forma diferente, ainda que sua sensibilidade não esteja treinada para perceber isso.
Tenho feito isso graças a ajuda de um pequeno ser iluminado que mudou por completo a minha vida. O meu filho Samuel, o garotinho de sorriso lindo que ilustra este post. Fiz esta montagenzinha para usá-la lá no blog do pai do Samuel, o espaço que eu utilizo para ser o maior pai babão sem o menor constrangimento e não tinha como deixar de usá-la aqui também, afinal foi muito conveniente e tem tudo a ver com o post de hoje,  tanto que encerrei fechando o círculo, demonstrando a relação para vocês.
Uma ótima semana a todos, que a paz reine em seus corações, fiquem com Deus e até a próxima.

domingo, 6 de outubro de 2013

Orgulho de Ser Gaúcho, Porque Mesmo??



Hoje eu iria falar sobre o filme "Crash - Vivendo no Limite" (conforme a tradução para o português, feita pelos responsáveis pelo filme aqui no Brasil). Foi um filme que eu assisti há alguns anos atrás e do qual eu gostei muito, vindo a assisti-lo novamente recentemente. O filme vale um belo post e será comentado por mim aqui, porém conversando com minha esposa ontem, acabei mudando de ideia e resolvi usar este espaço para outro assunto, embora guarde uma estreita relação com o conteúdo que colocarei quando tratar sobre o filme.
Sou gaúcho, nasci e me criei aqui. Desde cedo, como é comum a grande maioria dos gaúchos, aprendi a gostar de nosso estado, do nosso povo, da nossa cultura. Quando estive embarcado como tripulante de um navio de cruzeiros, em algumas ocasiões esse gauchismo foi aflorado e fiquei cheio de orgulho, como da vez em que uma passageira, durante a temporada brasileira, me fez a pergunta se eu era gaúcho e quando respondi afirmativamente ela colocou que só podia ser, pois havia notado que eu era muito educado e esta era uma característica nossa. Também me diverti, novamente com uma boa dose de orgulho, quando em uma ocasião em que a grande maioria dos passageiros, ainda aqui em águas brasileiras, serem oriundos do Rio Grande do Sul e circularem pelas áreas do navio o tempo todo com seu "kit chimarrão" a tiracolo, deixarem  muito intrigados os tripulantes estrangeiros que não conseguiam entender porque aqueles brasileiros eram tão diferentes dos demais.
Pois bem cantamos a plenos pulmões "ah eu sou gaúcho", em estádios de futebol, em shows e em outras ocasiões, cometemos mesmo exageros como o de cantar o hino riograndense em cima do hino nacional, entre outras coisas. Agora, para aqueles que também são gaúchos, assim como eu, faço a pergunta - Nós somos mesmo tudo isso de bom que julgamos ser?
Há anos o nosso estado tem ficado para trás, nossos políticos não conseguem uma articulação e uma união mínima que seja para trazer mais verbas e melhorias para o estado. Tudo é dualizado, tudo é bipolarizado. O gremista quer mais é ridicularizar o colorado e vice-versa, ao passo que se esta rivalidade ficasse apenas nas quatro linhas, os dois clubes ganhariam infinitamente mais em ações conjuntas, mas somente a leve consideração deste hipótese serve para que muitos espumem raivosos pela boca e me defenestrem, me ataquem cheios de ira, sem dó, nem piedade. Há anos vivemos de uma passado que nem foi tão glorioso assim, pois se colocarmos a mão na consciência e o dedo na ferida, se formos mais sinceros e autocríticos ao analisarmos nossa maior comemoração - a semana farroupilha - lembrando os feitos, as façanhas que sirvam de modelo a toda terra, dos heróis farrapos, teremos que lembrar a atrocidade que foi cometida com os lanceiros negros ao término da revolução e sobre isso também pretendo refletir um pouco em post específico.
Vejam bem meus amigos ou se preferirem indiada buenaça que habita essas plagas. Ontem, sábado 05 de outubro de 2013, minha esposa e meu filhote foram, na companhia de mais alguns amigos, a capital "de todos os gaúchos", a famosa Porto já não tão Alegre há tempos, para participar da Marcha Para Jesus. Tá eu sei, é um evento bem família de fundo religioso e em tempos de outras marchas que rolam por aí, tenho a triste convicção de que muitos não gostam. Eu estava trabalhando e por este motivo não pude 
acompanhá-los. Ela combinou previamente o roteiro e a programação para o dia com os amigos que a acompanhariam na jornada (um jovem casal e sua bebêzinha de menos de um ano e uma amiga deste casal, que está atualmente grávida). Minha esposa e meu filho saíram de casa em Sapiranga, cidade distante cerca de uma hora e meia de carro de Porto Alegre. Pelo combinado passou em Novo Hamburgo, onde o restante do pequeno grupo mora e onde almoçaram antes de partirem até São Leopoldo. O planejamento incluiu deixar os carros na estação do Trensurb em São Leopoldo e de trem, deslocar-se até a estação mercado, já na capital. Assim foi feito. E assim, começaram a surgir todas as coisas que fizeram com que além de muito envergonhado (sentimento bem oposto ao de orgulho), me lançaram a uma reflexão sobre o tema e consequentemente a este post.
Já na chegada, o primeiro de uma série de problemas que seriam enfrentados. O Samuel (meu filho), que tem um ano e um mês, estava sendo conduzido em uma pequena motinho, do tipo que se encontra por aí para facilitar a locomoção a pé dos país junto com a criança. Funciona muito bem, ele adora e por horas a fio, vai passeando feliz da vida em sua motoquinha. Só que lá nesta estação, minha esposa disse que não haviam rampas de acesso e a única saída possível era via escada (com um bom número de degraus e relativamente ingrime, é preciso registrar). Mesmo com dificuldades, pode-se considerar sendo um problema menor, a menos, tenho certeza, que você seja um cadeirante. 
Ela e sua amiga estavam com dois bebês de colo e como é comum nestas ocasiões uma das preocupações é onde trocar a fralda dos pequenos. Pois vejam só, o mercado disponibilizava o sanitário feminino para este fim, no entanto, este ficava no segundo piso e adivinhem, elevador estragado, sem rampa de acesso e outra vez a unica saída foi a escada, convém lembrar que vale a mesma observação feita antes. Dificuldades a parte ao chegarem lá em cima e dirigirem-se ao dito sanitário, outra surpresa, fora de uso! Resumindo, neste caso, a unica opção era o banheiro de deficientes (que não sei como chegariam ao segundo piso nessas condições tão desfavoráveis, sem elevador e sem rampa de acesso), porém usar o banheiro que é destinado aos cadeirantes, estando este vago, não chega a ser o problema, já que o seu está quebrado, mas aí para fazer uso dele somente pagando. E aí não me interessa o valor, o espaço é público e não podemos admitir que tenhamos que pagar por um serviço essencial que deveria ser oferecido gratuitamente pela gloriosa prefeitura. Respira-se fundo, lembra-se do motivo do passeio e com a graça de Deus, deixemos de lado essas dificuldades e até aceitemos como atenuante o fato do mercado ter passado por um sinistro a alguns meses atrás. Nem vamos lembrar que em qualquer país sério, administrado por governantes competentes uma solução melhor para a população já teria sido encontrada, e esqueçamos a questão da estação mercado que lá não houve nenhum incidente ou qualquer coisa do tipo.
Correu tudo relativamente bem durante a marcha, principalmente levando-se em conta o grande número de participantes.
Hora da volta e também da maior revolta. O Samuel é um bebê de colo ainda. Com a graça de Deus, é um meninão saudável, grande, pesadinho e por isso a motinho é nossa grande aliada nos passeios que incluem caminhadas com ele. Só que, obviamente, ele também cansa e acaba enjoando de ficar tanto tempo nela, consequentemente começa a choramingar e pedir colo. Por sorte já estava na hora de ir embora e uma vez no trem na viagem de volta, o melhor exemplo da tão exaltada educação do povo gaúcho. O trem estava cheio (não chegava a estar lotado), não haviam mais acentos disponíveis e algumas pessoas tiveram que viajar em pé. Incluindo minha esposa, que tentou de todas as maneiras convencer o pequeno Samuel a permanecer sentadinho em sua moto, mas foi em vão. O pequeno queria colo de todo o jeito e para piorar mais ainda a situação, começava a bater o sono naquele corpinho e só nós, os pais dele, sabemos como ele gosta de aninhar-se em nossos braços, repousar sua cabecinha no ombro do que estiver o carregando e tirar uma bela soneca (e Deus como isso é bom, como um momento como esse faz a vida valer). Para mim, por questões físicas, é mais fácil do que para minha esposa, mas ela teve que matar no peito e aguentar a situação. Ela observou que em um banco havia uma criança pequena aparentando uns 4 ou 5 anos, ao lado de uma mulher, que talvez fosse sua mãe. A etiqueta de bom convívio social recomendaria que esta mulher colocasse sua pequena no colo e oferecesse o banco para a minha esposa. Nem de longe a mulher considerou esta ideia e ignorou por completo a minha esposa com dificuldades com o meu filho no colo. Isso até entrar uma senhora idosa em uma estação mais para a frente e solicitar o banco, alegando que ela podia colocar a criança no seu colo e que, e isto é a mais pura verdade, há inclusive um estatuto (desrespeitado a toda hora) que torna isso lei. Começou um bate bocas, onde eu fico pensando que bela educação que temos mesmo, nós gaúchos, e que ótimo exemplo damos para aqueles que estamos criando. Que futuro mais maravilhoso aguarda este estado cada vez mais decadente. A criança ali acompanhando a adulta que lhe conduzia bater boca com uma pessoa mais velha sem entender direito o que estava se passando. Aí, neste momento, como forma de argumentação e muito mais para negar a senhora o direito de sentar, a mulher apontou para minha esposa com meu filho no colo e disse que se tivesse que dar lugar daria para ela. A referida senhora, por sua vez, também um ícone gaúcho de experiência, sabedoria, sensatez e educação, discordou fortemente e bem...
Acabou que a moça grávida que fazia parte do pequeno grupo, havia conseguido, por pura sorte e oportunismo, um lugar para sentar e foi ela quem, vendo que minha esposa já estava a ponto de largar meu filho de volta em sua motinho e tolerar seu choro, cedeu o espaço, o lugar para eles sentarem.
Resumindo, lamentável, muito lamentável mesmo e sei que isso é só um pequeno, mas bem ínfimo mesmo exemplo de como se porta este povo que adora gritar aos quatro cantos do país e até fora dele, cheio de orgulho que é gaúcho. Gentileza, meus amigos, é apenas o reflexo natural de todos aqueles que tem educação. Nunca vi pessoa educada que não fosse gentil, que não fosse solidária. Lembro muito bem de minha mãe sempre me dizendo para dar meu lugar para as pessoas mais velhas, para as mulheres com crianças no colo... Hoje, não tenho mesmo, absolutamente nenhuma dúvida, somos uma espécie em extinção e para piorar eu estou me tornando a pessoa mais velha e o futuro que visualizo daqui não é nada animador. Nem para mim, nem, infelizmente, para meu filho.
Resta-me educar meu filho sobre os mesmos princípios que minha mãe fez comigo. "Filho sempre dê lugar para as pessoas mais velhas, para as mulheres com crianças no colo". "Filho sempre respeite os mais velhos". Sabe filho, teve um tempo em que o pai gritava com todo orgulho - "Ah, eu sou gaúcho"
Uma ótima semana a todos, fiquem com Deus, até a próxima.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

O Trabalho Mais Difícil de Todos



Puxa, mas não é que o tempo voa mesmo? Olha só quanto tempo já faz que não atualizo este blog e isto que quando eu resolvi cria-lo, tinha em mente fazer uma média de, ao menos, uma postagem nova a cada 48 horas. Julgava também que seria o mais fácil de todos eles (eu mantenho ainda o 305 dias e o do pai do Samuel), porque aqui eu quero apenas escrever de forma natural, expor minhas ideias e meus pensamentos, sem maiores pretensões. Bem, no entanto, pelo menos na largada eu já saí da rota, antes tarde do que nunca, hora de fazer a correção e retomar o caminho.
Bom, hoje eu quero escrever usando como inspiração a imagem e o texto que não por acaso ilustram este post.
"O mais difícil dos trabalhos é o feito sobre si mesmo." E isso é muito mais verdade do que possa  parecer numa primeira reflexão que possamos fazer, ainda de uma maneira mais superficial. Se já é consideravelmente tortuosa a tarefa de responder a indagação que fiz no post anterior de "Quem sou eu?" (em tempo, um leitor do blog aprofundou ainda mais a questão e sugeriu que além de nos perguntarmos quem sou eu? Fizéssemos também o questionamento de "O que sou eu"? Muito pertinente e relevante esta colocação, vindo a enriquecer ainda mais nossas reflexões). 
Partimos deste princípio, ainda que tenhamos somente um rascunho, um leve esboço da resposta à pergunta mencionada no post anterior e considerando de que nosso grande objetivo seja, de verdade, o de buscarmos uma evolução pessoal, sobretudo como seres humanos, ou seja, de que estamos tentando ser alguém melhor para nós mesmos e para todos aqueles que nos cercam e com quem nos relacionamos, então, até mesmo para aqueles que estão no caminho certo e que já são boas pessoas, de ótimo caráter e de boa índole, esta também é uma tarefa árdua que exige muito foco e uma boa dose de concentração.
Trabalhar sobre si mesmo, vai exigir que estejamos atentos a nós mesmos o tempo todo. Como se fossemos um terceiro nos observando e isto, sinceramente, não é algo fácil de se fazer. No entanto, este é o único meio de conseguirmos uma maior honestidade para conosco e uma maior aproximação entre aquilo que realmente somos e aquilo que desejaríamos ser.
Quantas vezes que por preguiça pura e simplesmente deixamos de fazer algo que seria bom para nós ou para alguém que gostamos? Quantas vezes que, pelo mesmo motivo, acabamos desapontando aqueles que contavam conosco mesmo que fosse para alguma coisa tão simples de se fazer? Quantas vezes por displicência ou negligência desconsideramos um pedido, ignoramos uma observação ou qualquer outra coisa do tipo, simplesmente por considerarmos que não era importante, mas que para a outra parte envolvida era? Quantas vezes agimos com desproporcional ira com alguém que cometeu um  erro conosco? Quantas vezes ao invés de apenas assumirmos nosso erro, resolvemos contra-atacar e fizemos um esforço enorme para distorcer os fatos com nossos argumentos numa tentativa de nos isentarmos da culpa?
São muitos, quase infinitos os questionamentos, que se pararmos, ao menos, uns poucos instantes por dia, iremos ter que nos fazer se começarmos mesmo a nos auto-observar e deste modo começar o trabalho sobre nós mesmos.
De qualquer modo, como eu sempre digo, tudo é uma questão de ponto de vista e até mesmo aquelas situações que possam parecer ruins (mesmo as que realmente o são) podem ser oportunidades para um verdadeiro crescimento pessoal. 
Como escrevi no inicio deste post, antes tarde do que nunca. Sempre há tempo para iniciarmos uma mudança, para que possamos começar a trabalhar sobre nós mesmos e este é, de fato, um enorme desafio. O que sei é que as pessoas vencedoras, aquelas que estão aqui para fazer a diferença para o bem, não fogem da luta e nunca recusam um desafio do tipo que as façam temer que não consigam vencer, ainda que no íntimo delas, elas saibam que vencer ou não é apenas a consequência natural de como elas encaram, se preparam e efetivamente enfrentam este desafio.
Valeu pela visita, fique com Deus e até a próxima!

domingo, 8 de setembro de 2013

Muito Prazer, Eu Sou O Louco Poeta


Salve, salve rapaziada de bom coração. 
Depois de chegar a dar inicio a um blog usando a plataforma do wordpress, resolvi começar a blogar por aqui no blogger, primeiro porque acaba ficando mais prático ter todos os meus blogs resumidos em um só lugar (além deste que começo hoje, eu tenho o do Pai do Samuel e o do 305 Dias) e depois porque devido a correria do dia a dia eu até já havia abandonado o blog lá no wordpress. A ultima postagem que fiz lá foi nos idos de fevereiro. Por último, porque também neste período eu fui reformulando minha ideia inicial e buscando uma identidade mais definida, aquilo que eu gostaria de comunicar aos que tiverem a bondade de passar por aqui.
E este será exatamente o tema deste primeiro post na casa nova - Quem sou eu?
Já dizia o sábio filósofo Sócrates "homem conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo", mas responder a esta questão, de quem sou eu, a não ser que seja feita de forma superficial em tom de brincadeira (sou o Luciano, gaúcho 38 anos, casado, pai de um lindo menino que tem apenas um aninho, etc), está muito longe ser uma tarefa fácil. 
Talvez uma das coisas que torne esta tarefa uma das mais difíceis é de que existe uma grande diferença entre aquilo que pensamos ser e aquilo que, de fato, somos. Isso sem contar, é claro, a questão do óbvio, ou seja, voltando ao viés mais fácil da brincadeira enumerando nossas características físicas e dos aspectos gerais de nossa vida, trabalho, família, amigos e tal. O comum é realmente querermos o atalho, a saída mais fácil, o acesso mais curto, não só para esta, mas, para todas as outras questões que perturbam e incomodam, até mesmo o mais desinteressado dos seres. 
Claro, podemos sim passar toda a nossa existência sem ter, se quer, uma leve noção de quem realmente somos ou pior ainda acreditando convictamente que somos aquele que gostaríamos de ser. O problema apenas é que ficaremos no descompasso entre a realidade e a fantasia, a verdade e a mentira, e sinceramente cá para nós, isto não é nada legal, definitivamente não faz bem a ninguém, no entanto isso é algo que me parece cada vez mais banal e recorrente atualmente. A sociedade moderna vive cada vez mais de aparências e as aparências, meu amigo, como já dizia aquela outra máxima, enganam.
Então, não vamos nos enganar, precisamos sim de um tempo, mínimo que seja, para tentar, ao menos, tentar, ir aos poucos respondendo a esta crucial questão - quem sou eu?
Podemos fazer isso aos poucos, no dia a dia, usando como uma das principais ferramentas uma coisa bem simples chamada de auto-observação. Sim, isto mesmo, auto-observação. A maioria de nós, parece ser um expert quando trata-se  da arte de observar o ser alheio e quase instantaneamente, todos apontam seus dedinhos e indicam, cheios de autoridade, aonde e como aquele ser está errando, porém se olhássemos, cada um para nós mesmo, iríamos constatar, quem sabe com alguma surpresa ou de certa forma, com algum embaraço, que aquela mesma atitude já foi tomada por nós em situação semelhante.
Observe-se, esteja atento a você mesmo, principalmente nos detalhes cotidianos e você ficará surpreso da quantidade de vezes que cairá em contradição. Dirá uma coisa, mas fará outra completamente oposta e não raro mudará radicalmente de opinião, conforme forem os seus interesses de momento.
Agora, se aos poucos, começarmos a nos observar e formos de fato, nos conhecendo melhor, aí sim teremos uma oportunidade única de deixar de ser aquilo que somos e tornarmo-nos aquilo que realmente gostaríamos de ser.
Tá certo, mas este post não era para me apresentar e dizer quem eu sou? Era, mas meu amigo se eu soubesse a resposta, ah se eu soubesse a resposta... Não, eu ainda não sei dizer quem eu sou, tenho em mãos um rascunho, um verdadeiro esboço e preciso ser sincero em afirmar que não é lá grandes coisas, na verdade, é mesmo, bem decepcionante em muitos pontos, mas a parte positiva é que pelo menos, encontrei o caminho. A caminhada, eu bem sei, será longa, o mais provável é que eu não chegue vivo ao final dela. Ainda assim, quando você põe o pé na estrada e sente aquela sensação indescritível que encontrou a via certa, meu amigo, acredite o que você mais quer é caminhar por ela. Outro alguém já disse que mais importante que a chegada é a caminhada, se formos atentos a tudo aquilo que o percurso poderá nos proporcionar. E eu tenho certeza que durante o percurso, eu encontrarei nem que seja parte da resposta para esta pergunta - Quem sou eu? Quem somos nós?
Sinta-se convidado a caminhar junto e quem sabe fazer descobertas incríveis que você jamais havia sonhado.
Fique com Deus (ah, você não acredita em Deus? Tudo bem, não se incomode com isso, Ele acredita em você), tenha uma ótima semana e até a próxima.